A miuda que perdeu o brinco!

Olá Ultras,

Yá!!! Eu sei que a imagem está desfocada, mas às vezes é isso… andamos com os olhos desfocados e vemos as coisas todas turvas, outras vezes até sabemos disso, mas não nos damos ao trabalho de focar melhor! Outras vezes colocamos pinturas de grande valor, no meio da tralha que se acumula.

O pior cego é sempre aquele que não quer ver! Toda a gente sabe, mas ninguém põe em prática…

Ora bem… mas isto hoje era para falar de bijutaria e não de oftalmologia, certo? Bijutaria, salvo seja, claro… que ele há brincos muitíssimo valiosos!

Ora vejam, um drama daqueles. A miúda perde o brinco e os brincos vêm aos pares, perdendo um, é toda uma aflição.

É que as coisas são assim. Um brinco sozinho nenhum sentido faz. Um brinco não existe por si mesmo, nem foi criado sozinho nem para estar sem o seu par que foi criado para lhe conferir firme plenitude.

Pois ora sendo assim, quando um se perde, o outro perde o sentido de existir. Porque foram criados em conjunto e um para completar o outro. Assim são os brincos! Não saem à rua um sem o outro, e nenhum sentido fazem um sem o outro.

Porém, juntos, adornam e valorizam as mais belas partes do corpo feminino como o rosto, por exemplo e outros há que mesmo discretos, adornam as portas do sentido da vida, da comunhão, da dádiva, da partilha e do amor.

Quando se perde um brinco de um par de brincos… é preciso reuni-los novamente em harmonia, paz, empenho e confiança. É preciso zelar para que se mantenham sempre juntos.

Complexa a bijutaria, não amigas e amigos ultras?

A miúda entretanto, já recuperou o seu brinco, mas olha, com aquele olhar manso e esperançoso… mas de quem sabe muito bem para onde está a olhar.

A “miúda e o brinco” é um dos quadros mais famosos de Vermeer, e acredita-se ser o retrato da sua filha.

Um pouco de história sobre este belíssimo quadro:

Pouco se sabe da história da tela mais famosa de Vermeer, conhecida como “a Mona Lisa do Norte” . A rapariga com um brinco é seguramente a obra mais famosa do pintor e traz como protagonista uma jovem com ar sereno, doce, um olhar meigo e os lábios entreabertos.

É de se ressaltar como o fundo negro (que na época supõe-se ter sido verde escuro) destaca a presença dessa única figura no quadro e como a pintura carrega um senso de harmonia. A técnica do fundo escuro ajuda a trazer tridimensionalidade à tela.

A figura escolhida tem um ar diferente, simultaneamente feliz e triste, e esconde qualquer coisa misteriosa – não é por acaso o quadro é comparado com a obra prima Gioconda, de Leonardo da Vinci.

O adereço que a jovem de Vermeer carrega dá nome à tela. Há que se sublinhar também o brilho no olhar e na boca da jovem, assim como também se deve perceber o equilíbrio da luz no quadro.

Ao contrário dos retratos da realeza, posados e com traje a rigor, a jovem parece ter sido registada num momento quotidiano, em meio aos seus afazeres, com um lenço na cabeça, porém possui um brinco de grande valor. Ela olha para o espectador parcialmente de lado, como se algo a convocasse.

Não se sabe se o trabalho foi uma encomenda nem quem é a moça de olhar ambíguo a protagonizar a pintura. Há quem diga que a jovem é a própria filha do pintor.

Outra dúvida diz respeito ao turbante que a protagonista usa: naquela época já não se usavam peças como aquela. Especula-se que Vermeer se tenha  inspirado na pintura Menino com turbante, pintada por Michael Sweerts.

Tela “Menino em um Turbante”, de Michael Sweerts, que teria servido de inspiração para Moça com brinco de pérola, de Vermeer.

Nós por cá pelo pasquim, equacionamos até se não esperará ela por ele e se as flores que traz ele na mão não serão para ela? Ele também olha… com olhar triste, tímido, circunspecto e meigo! Será que é ele quem guarda o par do tal valioso brinco da “rapariga com um brinco”?

 

— por Anaequipa.ultrafeminina@gmail.com

[a gaja que tem a mania de pensar]

 

 

 

 


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