Não é porque nos aproximamos do Natal que este tema deve ser debatido aqui no pasquim das Ultras. É sim, porque nos parece pertinente para os dias que correm e para o tipo de sociedade que desejamos construir em que todas e todos nós temos um papel, quer seja individualmente nas nossas atitudes, escolhas e modos de vida… quer seja na educação que damos aos nossos pequenotes.

O amor é então um tema que não se resume somente ao estado dos enamorados, mas também ao amor que demonstramos pelos outros e por nós mesmos. A sensibilidade e o respeito que dedicamos aos outros que “não nos são nada”… esse sim, é o sentimento que ditará para o amanhã uma sociedade mais humana e mais coesa, com direitos mais igualitários entre as camadas, géneros, crenças e nações.

O respeito e a tolerância pela diferença, pelo “outro” como ser diferente de mim. O abandono definitivo à critica gratuita ou à opinião não requisitada (pelos próprios, convenhamos!). A atenção sensível aos direitos dos outros, à felicidade e ao bem estar dos outros. Quer esse “outro” seja da nossa família, do nosso bairro, da nossa escola ou um ser cujo rosto nem conhecemos do outro lado do mundo.

Eu, na minha experiência pessoal e com três filhos completamente distintos nas suas formas de ser e pensar, dou o meu testemunho, a forma com que lidei com questões delicadas e outras menos delicadas ensinando sempre os meus filhos, não só pela palavra mas sobretudo pelo exemplo, que somos individualmente pequenas peças de um puzzle que se chama sociedade.

E a sociedade de hoje é múltipla, pluri-racial, onde as crenças se misturam, a mobilidade dos povos trás hoje novos enamorados que dão este contributo riquíssimo de numa mesma família se sentarem à mesa pessoas de diferentes sítios, com diferentes experiências, com diversas origens, com percursos distintos… e tudo isto é rico… é de um valor enorme.

Aqui chegados. Repensemos a família como base das sociedades. Como sempre…. atiramos as mesmas pedras aos mesmos alvos, sem nunca pensar devidamente no problema raíz das coisas.

Em sociedades de antigamente atirávamos a pedra aos “casamentos arranjados” e hoje atiramos a pedra ao número de divórcios. E muito bem pensado… mas a pergunta que me subsiste é, “Será que sabíamos amar e estávamos preparados para isso quando nos propusemos a esse desafio?”, “será que a nossa maturidade emocional já nos permitia assumir um compromisso dessa natureza?” ou será que muitas de nós não casámos e tivemos filhos e constituímos uma família simplesmente com base em filmes da “Disney” e em “viveram felizes para sempre”…

Pois bem, resta-me pensar que certamente no hoje em dia, não encontraremos o “felizes para sempre” à primeira tentativa… e está tudo bem! Talvez só chegaremos a este pressuposto com os filhos já semi-criados… e está tudo bem! E sabem porque é que está tudo bem? Porque aí se dermos vez à maturidade dos seres bem resolvidos que supostamente já seremos ou somos por essa altura (normalmente até já depois dos 35) daremos aos nossos filhos uma visão ampla de uma casa ou uma mesa onde se aprende a receber novos seres humanos, a ser tolerantes e afectivos para com eles, a abrir os braços a “estranhos” que passaram a ser da nossa família ou da nossa intimidade… e vou contar-vos queridos e queridas ultras, numa casa como a minha, onde agora sim… no topo da minha experiência de vida vos digo, aqui cada um nasceu de uma mãe diferente, eu e o pai dos meus filhos não estamos juntos e estamos muito bem resolvidos e sabem que mais? Está tudo bem! Os meus filhos cresceram com uma riqueza enorme que me foi transmitida pela minha magnífica família e que é: CABE SEMPRE MAIS UM, QUANTOS MAIS SOMOS MAIS RICOS E FELIZES FICAMOS!

E no fim deste texto e porque somos seres pensantes, afinal das contas não é disto que precisamos para que as sociedades se tornem melhores? Mais humanas e mais tolerantes? Que saibamos ser seres adultos maduros e bem resolvidos com a nossa história e com o nosso passado para caminharmos em frente ensinando a tolerância e os afectos e abrindo-os “ao outro” e “aos outros”? Chama-se EMPATIA! E estes novos modelos de famílias, não são falhanços de forma alguma… são exemplos de empatia e afectos, bem passados por adultos que se resolveram e ganharam maturidade e coragem de educar os seus filhos num ambiente de aceitação e inclusão.

Sabem queridas e queridos Ultras… vamos pensar bem o que fazemos com as pedras que encontramos pelo caminho… é que com as pedras não se constroem somente guerras, muros e armas de arremesso, também se podem construir pontes.

Às vezes, o que nos parecem eventos cataclísmicos ou tropeços são somente as mãos da própria ordem natural das coisas. É PRECISO DESDRAMATIZAR e substituir o drama por naturalidade. Ter a franqueza e a determinação de olhar as coisas por outro prisma, sem ser aquele que a sociedade nos impõe por defeito.

E mais vos digo… se pudesse agora, por um passo de mágica retirar um centímetro que fosse do sofrimento dos meus filhos, das pessoas à minha volta ou até do meu, na maior sinceridade vos digo… não mudaria uma única vírgula às nossas histórias. Os meus filhos e eu e até as pessoas à nossa volta são agora menos encapsuladas, menos viradas para si mesmas.. mas ao mesmo tempo mais seguras e assertivas. É ASSIM QUE FUNCIONA. Crescer e evoluir acarreta um certo sofrimento e abertura de espírito. Mas depois, todos nos transformamos em pessoas mais maduras, mais resolvidas, mais tolerantes e mais afectuosas. Com mais amor por nós mesmos e pelos outros.

“É URGENTE O AMOR” – Poema de Eugénio de Andrade, poeta português (1923-2005), biografia AQUI

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