Sugestão de leitura #01 – O Principezinho

LIVRO DO MÊS:

O Principezinho – Antoine De SaintExupéry

Queridas/os Ultras,

Eis um livro que já foi comentado e recomentado. Interpretado e reinterpretado. Lido e relido vezes e vezes sem conta, porém, de tão simples a mensagem e até a linguagem que é como se aos nossos olhos “de crescidos” nos parecesse sempre um código mutável a cada leitura e só realmente decifrável por crianças ou atingindo uma maturidade realmente grande. Leia-se que maturidade grande significa tornarmo-nos pequeninos. Mas afinal, o que é isto de pessoas crescidas e adultas se tornarem pequeninas? Vejamos então!

Ser pequenino é:
  • Ter menos bagagem – precisar de menos. Ser feliz com menos bens materiais e sem necessidade de tanta atenção à nossa volta, ser mais focado nos que realmente amamos e nos amam de volta.
  • Ter menos medo – deixar o medo é essencial para caminhar (e para voar então nem se fala).
  • Ter muita fé – confiar. Confiar. Confiar. Ele toma conta de nós!
  • Ter abertura de coração – aprender requer isso, e é muito difícil. Estar disponível para aprender. Só os tolos e ignorantes são livros fechados julgando já saber tudo.
  • Ter verdadeira humildade – Deixar o orgulho e o preconceito. Saber pedir desculpa e aceitar também. Aceitar aprender e abrir o coração. Estar disponível para ouvir. Entender que às vezes simplesmente estávamos errados ou agimos mal e pedir desculpa afinal… não é nenhum drama (menos orgulho malta).
  • Não fechar a alma à mudança e à transformação – ser verdadeira lagarta e deixar que Deus opere em nós a metamorfose para podermos ser borboletas.

E claro, depois de ter viajado a galáxia inteira, à beira de nos tornarmos pequenos príncipes tristes por só ter uma rosa, aparentemente tão igual às demais, estar disponível para entender a mensagem da sábia raposa da história.

Uma fábula intemporal. Riquíssima e uma mais valia para miúdos e graúdos, que vai muito e muito para lá da aparência de livro singelo e infantil.

Nós por cá, no “pasquim” vamos centrar-nos nos capítulos XX a XXII. O resto da análise deixamos por vossa conta e claro… contem-nos tudo, quer leiam com miúdos ou graúdos ou sozinhos.

Vamos fazer como o principezinho e apanhar uma migração de pássaros para levantar voo. Cada um pode imaginar os passarinhos que quiser, podem ser pequenos e delicados, exóticas e coloridas aves tropicais ou até aves de rapina rompendo os céus das tempestades… ou até mesmo um pouco de cada, consoante necessário às condições climatéricas da viagem.  

“POR FAVOR, CATIVA-ME”

disse ela

Cativar e ser cativado. Eis a aventura do século XXI. Eis a aventura da própria existência humana.

Dizer a alguém “Por favor, cativa-me.” É sem dúvida um acto de uma entrega emocional gigantesca e de um heroísmo e coragem enormes. E é também a partir deste ponto que o inquieto principezinho, descobre e resolve o cubo mágico dos seus próprios sentimentos, afinal… a sua viagem para conquistar toda a galáxia, teria agora outro sentido…

Por um lado, as pessoas querem cativar o mundo inteiro, e se possível os outros mundos também. Queremos cativar, mas cobardemente não queremos ser cativados. Queremos tudo… mas não queremos nada. Pois cuidar é um acto de verdadeira nobreza de carácter. (tal como o principezinho cuidava da sua rosa). Cativar tudo e todos. Mas tal como o principezinho, cujo coração nunca sossegou dado que havia deixado a sua rosa à mercê no seu pequeno planeta, também nós precisamos consciencializarmo-nos que cada um de nós tem o seu planeta, com a nossa própria rosa e os nossos pequenos vulcões e que a verdadeira riqueza está em dar-lhes o devido valor.

A verdadeira riqueza e felicidade está na qualidade e não na quantidade. A felicidade está na rosa (a que ficou no planeta) e não no roseiral inteiro… a felicidade está naquela relação profunda e singular que construimos com alguém e não em inúmeras relações superficiais que só cultivamos para nos iludir da falta que aquela pequena rosa nos faz. “Porque ela é a minha rosa” – disse o principezinho. INCOLMATÁVEL!

“Vou contar-te o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos…”

Numa lição arrancada a lágrimas, o pequeno príncipe lá percebe que a sua rosa do seu planeta é exactamente isso, A SUA ROSA. E confrontado com um jardim cheio delas, a sua era especial porque lhe pertencia, porque inundava de um perfume inigualável todo o seu mundo.

Ser responsável por aquilo que se cativa, significa dar-se. Tão simples quanto isto. Dar-se e também para se dar é necessário que nos tornemos receptores. Abrir o coração à delicadeza da rosa e receber dela o perfume que inunda todo o planeta. Isso é aprender a receber. A dar valor ao que se recebe. Perceber que na quantidade se recebe pequenas migalhas de nada e sem conteúdo algum e na qualidade de uma simples relação que foi tratada, e que é singular, jorram rios de sentimentos profundos, felicidade e perfume de amor.

“Sabes, há certa flor… tenho a impressão que ela me cativou…”

E assim termina a nossa sugestão de leitura #01.

O principezinho e a sua aventura pela galáxia têm muito mais personagens para oferecer, mas nós ficaremos por aqui, senão, o livro fica todo comentado e nada vocês, minhas e meus queridos Ultras, têm para nos comentar de volta.

A todas as Ultras e a todos os Ultras desejo que se deixem cativar por este livro, mas muito mais que isso, que encontrem a rosa singular de entre todas as outras e que tenham a coragem de dizer “Por favor, Cativa-me!”

— por Ana — equipa.ultrafeminina@gmail.com

 


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